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quarta-feira, 11 de junho de 2008

Terra de índio

Demarcação de terras indígenas enfrenta reações racistas no MS


Depois de uma espera angustiante de mais de cinco anos, o Estado Brasileiro ouviu as lideranças Guarani Kaiowá e firmou um acordo para reiniciar os estudos antropológicos para demarcação física dos seus territórios.

Por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 12 de novembro do ano passado, entre o Ministério da Justiça, Ministério Público Federal e Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e 23 lideranças indígenas, ficou acordado para primeira semana de maio, o início dos trabalhos de seis Grupos Técnicos que irão identificar e limitar 36 terras indígenas do povo Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, por meio de estudos antropológicos.

O prazo final para entrega dos trabalhos está previsto para abril de 2010.
Este TAC atende parte de uma das maiores demandas indígena por terra no Brasil -- ao todo são mais de 100 terras tradicionais Guarani Kaiowá por demarcar no Mato Grosso do Sul. Devido ao confinamento em que se encontra, em média menos de um hectare por pessoa, a população de 40 mil Guarani Kaiowá vive os dramas dos mais altos índices de assassinatos, suicídios e de fome entre os povos indígenas no Brasil.

No entanto, apesar de toda a urgência em reconhecer as terras Guarani Kaiowá, parlamentares e representantes do governo do Estado do Mato Grosso do Sul já se organizam de forma contrária ao reconhecimento dos direitos Constitucionais dos Povos Indígenas.

Em um manifesto divulgado dia oito de abril, 15 representantes da Assembléia Legislativa do estado ignoraram a Constituição Federal e declararam sua posição contraria ao reconhecimento a terra.

No entendimento dos parlamentares os Guarani Kaiowá não têm direito de retornar às terras de onde foram expulsos pelos fazendeiros. “A demarcação de terras particulares em lugar de terras indígenas constitui ofensa ao direito de propriedade, ao devido processo legal ao controle do poder jurisdicional, enfim, ofensa à segurança jurídica e ao Estado democrático de direito”, esbravejam os deputados no manifesto.

Em pronunciamento na assembléia legislativa o deputado estadual, Zé Teixeira (DEM), foi além, contestando a identidade do povo Guarani Kaiowá. 'Qual é o hábito e o costume que o índio tem numa propriedade que ele não vive há mais de 40 anos', afirmou o deputado, que complementou, 'como vendeu terra de índio, se (o índio) nunca foi dono de nada?'.

(...)
Matéria completa no site www.brasildefato.com.br

ENQUANTO ISSO.... em Rondônia
Os 29 mil indígenas que vivem na reserva Raposa Serra do Sol, no Estado de Roraima, acreditavam que, finalmente, poderiam viver em paz na terra que lutam para reconquistar há mais de 30 anos. Estavam errados. Demarcada em 1998, e homologada por um decreto presidencial em abril de 2005, em 27 de março desse ano, o governo federal anunciou uma operação da Polícia Federal para retirar os últimos ocupantes que se encontravam na área: seis produtores de arroz.
Crônica do site www.brasildefato.com.br

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domingo, 8 de junho de 2008

Aty Guassu

Aty Guassu reúne 300 indígenas guarani-cauiá em Tacuru
Lideranças indígenas guarani e caiuá representantes de 38 aldeias e 18 acampamentos de Mato Grosso do Sul realizam neste fim de semana uma Aty Guassu (Grande Reunião) na aldeia indígena Jaguapiré, Tacuru, distante 422 quilômetros de Campo Grande. Pelo menos 300 lideranças participam do encontro.No evento, que começou ontem, os indígenas estão discutindo os problemas enfrentados pelas comunidades indígenas do Cone Sul e tentam definir estratégias para a recuperação das terras indígenas.No final do encontro, que termina hoje, foram elaborados três documentos para serem enviados para a presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio). Eles vão indicar dois nomes para representar as etnias Kaiowá e Guarani no Conselho Nacional de Política Indigenista, que terá reunião no próximo dia 19 com o presidente Luis Ignácio Lula da Silva. Os indígenas querem providências sobre ações que culminaram com a retirada da administradora Margarida Nicoletti. Para eles, a articulação impede o andamento dos trabalhos de demarcações de terras e a vinda dos grupo de e trabalho e o cumprimento do termo de TAC (Termo de Ajuntamento de Conduta) assinado entre a Funai e Ministério Publico federal.Os índios também não querem que o governo aceite as indicações de André Puccinelli.
fonte: http://www.campogrande.news.com.br/canais/view/?canal=8&id=228938


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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Registro Civil Indígena

Registro Civil concebe mais direitos sociais à nação indígena
Um projeto denominado Registro Civil de Nascimento dos Povos Indígenas, feito em parceria com organismos sociais e jurídicos, está previsto ser realizado em Mato Grosso do Sul após ter sido primeiramente aplicado na Amazônia pela Associação do Projeto Rondon local e Associação Nacional dos Rondonistas.

Em visita a Mato Grosso do Sul, o secretário executivo da Associação Nacional dos Rondonistas Estanislau Monteiro fez contatos com autoridades locais e também fez a apresentação da idéia original na Sede da Associação dos Rondonistas de MS, deixando clara a participação direta da FUNAI, lideranças indígenas, entidades jurídicas e outras associações relacionadas, como a OAB local e cartórios.

Segundo Estanislau, existem muitas dificuldades encontradas pelos índios para obtenção do registro civil, e poderem participar de modo pleno na vida ativa da sociedade. Disse que hoje em dia, a FUNAI concede o RANI – Registro Administrativo de Nascimento dos Índios, mas esse registro nem sempre é reconhecido em outras situações fora do universo em que estão inseridos os indígenas. Tendo o registro civil, garante-se o direito de ir e vir dentro da sociedade como quer a Convenção da Organização Internacional do Trabalho, a qual concede ao índio, direito pleno de cidadão e garantia do direito de escolha de querer o registro civil ou não, deixando claro para o índio que, tendo o registro civil, ele não perde nenhum direito adquirido.

A pesquisa nas etnias
Na Amazônia, foram aplicados 1421 questionários, estando a frente do projeto uma responsável técnica proveniente do Projeto Rondon Nacional atuando com mais dois professores contratados pela Universidade Federal da Amazônia, financiados pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.

Em 17 de junho irá ocorrer uma reunião em Manaus para exposição dos resultados obtidos na pesquisa, com participação das representações indígenas, órgãos judiciários, corregedorias, membros do Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Tribunal de Justiça, cartórios, dentre outros.

Foram questionadas 300 comunidades amazônicas, atingindo 35 etnias pesquisadas num universo de 64 etnias existentes.

A Amazônia tem 17 lideranças indígenas com representações étnicas diversificadas das representações no MS, ressaltando a necessidade de se fazerem contatos prévios para que cada passo seja harmônico e bem direcionado.
Em Mato Grosso do Sul há dois escritórios da FUNAI, sendo o de Campo Grande representante das etnias Terena, Ofaié, Guató, Kadywéu, Atku, Kinikinawa; o de Dourados, as etnias Nhandeva, Kayowá, Guarani.
No momento estão sendo contatadas diversas instituições e, ao mesmo tempo, estão sendo observadas a realidade e as características para possibilitar a produção de projeto específico em consonância à idéia original.

Os envolvidos
Na sede do Projeto Rondon-MS, Estanislau expôs que serão realizados dois grandes encontros em junho.

O encontro em Campo Grande ocorrerá no dia 24 de junho e o de Dourados, no dia 26, com participação direta da FUNAI, OAB, cartórios através da Associação dos Notários e Registradores do Brasil-ANOREG, corregedorias, ministérios públicos, universidades e outros, todos unidos para discutir a metodologia do projeto. No planejamento está programado que se realize uma Atyguaçu que, para as etnias Nhandeva, Guarani e Kayowá significa grande reunião.

Além da Associação do Projeto Rondon-MS e da Nacional, a Associação Estadual dos Rondonistas da Amazônia também participará com o apoio operacional, em vista de sua experiência como o primeiro estado a executar o projeto.

O Projeto Rondon local se responsabiliza por contratar professores da UFMS e UEMS, da área de direito e antropologia ou ciências sociais, para atuarem como consultores em conjunto com a equipe de Brasília.

Em três etapas
A idéia original prevê três etapas com participação de todas as entidades envolvidas, sendo a primeira relacionada ao preparo para a pesquisa de campo. A segunda se relaciona à execução do projeto com supervisão de dois técnicos provenientes da Associação Nacional dos Rondonistas que se unirão a dois estagiários da área jurídica e dois das ciências sociais.

A terceira etapa se refere à discussão dos resultados em assembléia com pesquisadores e autoridades, expondo os problemas encontrados pelos pesquisadores nas comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul.

Com a verificação das características, a realização dos seminários e a realização da atyguaçu, a equipe de especialistas terão condições para a produção do projeto, com previsão para julho de 2008 e execução imediata iniciada em agosto. Programado para ser cumprido em seis meses, o término está previsto para janeiro de 2009.


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